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Este é o site de Sándor Ferenczi
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Ocupação
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Buscamos através de uma pesquisa, selecionar matérias obtidas através de Jornais, Revistas e Outros Sites que possam interessar ao público ferencziano de uma maneira geral. Informamos que este Site não tem fins comerciais, sendo publicado (informando o autor ou a origem), com o intuito de ajudar principalmente aos estudantes, de todos os tipos, da área de psicanálise.
1- FERENCZI E A HIPNOSE. Diferente de Freud, que fez de tudo para livrar-se dela, Ferenczi interessou-se ao longo de toda sua obra pela Hipnose. Não se trata de forma alguma de dizer que Ferenczi foi um hipnotizador ou mesmo que se utilizou técnica hipnótica para realizar a cura psíquica. Nunca foi seu propósito, mesmo quando do período de sua técnica ativa , deixar de privilegiar uma escuta baseada na associação livre e nos movimentos da transferência. A questão de Ferenczi com a hipnose é outra. É justamente pensar o que há de hipnótico, hipnotizante e hipnotizável na experiência humana. Isso quer dizer que, o psicanalista húngaro pôde se interessar pelas situações onde o psíquico se fazia articular hipnoticamente. Seja através do impacto das experiências traumáticas, seja pelo viés da transferência na clínica, ou mesmo pela forma como se formalizavam as identificações na cadeia desejante dos seus pacientes. A hipnose mostrou ser para Ferenczi , menos um fenômeno do que uma materialização constituinte do desejo humano . Haveria que mostrar como a hipnose se faz articular com o desejo. Com certeza que , variando a vida pulsional/desejante de cada um, ou seja, variando os tipos de organizações psíquicas, variam também as manifestações hipnóticas. Isso quer dizer, por exemplo, que é possível, com certeza, se falar diferenciadamente de hipnose em sujeitos histéricos e obsessivos. Não há e nem pretendo defender a idéia de uma metapsicologia da hipnose. Ora, é preciso parar com esse vício de se querer pensar psicanálise exclusivamente pelo viés racionalista. A psicanálise, e com ela, a hipnose, ambas não se reduzem ao quantificável ou ao dedutível. O método de Freud era rico, sabemos disso. As inferências , analogias e construções de onde fazia derivar o material inconsciente de seus analisandos, eram desprovidas de um critério único estando portanto sobre o paradigma da sobredeterminação. Freud oscilou sempre entre um projeto para uma psicanálise científica e um outro, bem diferente, para uma psicanálise como arte. Afinal, não era assim que ele definia o ato de construir o inconsciente? Por certo, a hipnose é da ordem do inconsciente. Ou melhor, dos inconscientes. A hipnose diz respeito ao campo das paixões e das alienações. Com isso, ela é própria de organizações coletivas tanto quanto de experiências singulares e está presente em toda e qualquer formação sintomática. Para reconhecê-la, é preciso por ela se interessar. Aquilo que nos encanta, que nos deixa fora de si, que como diz Chico Buarque, "nos bole por dentro", é sempre um efeito hipnótico. Quando meu Fluminense -eu assumo as conseqüências! - entra em campo no Maracanã e eu sinto algo que me invade de maneira visceral e que me transcende. Nessas horas, posso afirmar que sou tomado por um transe hipnótico. O mix de emoções denuncia isto! A pele se encrespa, a voz berra mais que o controlável, os olhos se entumecem e a alegria brota. Nesse momento, sou toda a torcida do mundo, sou o pó de arroz que se espalha pela atmosfera, sou irmão de quem me da a mão e que comigo se hipnotiza. Quando o jogo acaba, vitorioso ou perdedor, tanto faz, distante do que é hipnotizante, me faço, provavelmente, sereno outra vez. Mas a hipnose é aquilo que me permite responder enquanto infantil. É nela que posso potencializar uma vivência de afetos que , ao acontecerem, me permitem exercer meu sentido pleno de existência. Dei esse exemplo, simples, mas posso dar outros. Não é difícil falar de Hipnose. Ao contrário, é algo sem o qual se torna impossível a experiência humana. Pretendo estar, ao longo dos artigos que publicarei nessa coluna, tecendo conexões que possam ajudar a pensar a hipnose e a clínica psicanalítica. Como sou ferencziano, trabalharei sempre fazendo citações e apontarei referências em sua obra. Gostaria que vocês pudessem participar dessa coluna, mandando e-mails com suas idéias. Pretendo comentar os e-mails e estar inaugurando aqui, um espaço para a produção de um pensamento psicanalítico. Por fim, gostaria de lhes deixar indicada uma leitura. Há um texto de Ferenczi denominado "Adestramento de um cavalo selvagem"*. Lá vocês poderão perceber que é possível aprender a psicanalisar com os cavalos sem ter receio disto. Ferenczi o fez e com isto, mostrou que o psiquismo humano apresenta, em sua constituição, também o inumano. Um forte abraço do Carlos Mario www.freudiana.com.br
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